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Cirque du Soleil - Varekai

Varekai – Escrito e Dirigido por Dominic Champagne. Cenário de Stéphane Roy. Figurino de Eiko Ishioka. Música composta e conduzida por Violaine Corradi. Coreógrafos Michael Montanaro e Bill Shannon. Designer de Montagm Jaque Paquin. Iluminação de Nol Van Genuchten e Luc Lafortune. Som de Fronçois Bergeron. Desigener de Produções Francis Laporte. Guia Guy Laliberté. Diretor de Arte Andrw Watson. Espetáculo apresentado em Belo Horizonte em 21 de janeiro de 2012.


Realizei na noite de ontem um dos sonhos que cultivava desde menino, assisti a um dos mais belos espetáculos de minha vida: Varekai, uma das montagens itinerantes do Cirque du Soleil. Quando uma amiga me convidou para ir, ainda em setembro do ano passado, eu sequer cheguei a ponderar sobre a minha disponibilidade no mês de janeiro (eu ainda não sabia que estaria de férias), ou se eu teria dinheiro para a viagem e para o ingresso, eu apenas sabia que queria ir, na verdade eu tinha que ir, afinal oportunidades de termos sonhos realizados não podem ser perdidas! Comprei o pacote e passei quase cinco meses me corroendo de ansiedade para que este dia chegasse, por diversos momentos alguns problemas quase me fizeram abrir mão da viagem, mas felizmente tudo se resolveu... A tenda estava armada em Belo Horizonte, que fica cerca de 280 quilômetros distante de Ubá, a minha cidade, saímos daqui por volta de meio-dia, fomos em uma excursão organizada por uma agência de viagens local. Das cerca de quarenta pessoas que foram, apenas três já tinham assistido ao vivo a alguma das montagens anteriores do circo, mas mesmo para estas a expectativa era a melhor possível, afinal cada encenação da trupe é considerada uma experiência única, transcendente e indescritivelmente bela.

Chegamos em BH e aproveitamos o tempo livre até o início do espetáculo, que começaria às nove da noite, para passarmos no shopping (mais uma vez não contive meu consumismo e comprei 5 livros e um DVD). Conforme combinado, nos encontramos às oito horas no estacionamento do shopping e de lá fomos em direção ao local do espetáculo e foi aí que veio o susto. Descobrimos tarde demais que apenas uma hora poderia não ser o suficiente para chegar a tempo à tenda, pegamos um enorme engarrafamento e o motorista, na tentativa de pegar um atalho, acabou se perdendo (ele não admitiu isso)... Eu simplesmente gelei, era a realização do meu sonho que estava em risco. Faltavam cinco minutos para as nove horas, o transito não andava, alguém então comentou que após o início do espetáculo, que começaria estritamente em cima do horário, ninguém entraria ou sairia da tenda principal até o fim da primeira parte (são duas partes de uma hora cada), a possibilidade de perder metade do show aparentemente me assustava como a nenhum outro no ônibus... Mas, como que por milagre, de uma hora para outra o trânsito fluiu, conseguimos chegar! Foi como se estivessem nos esperando, pois acabamos de entrar, nos assentamos, e as luzes se apagaram...


Varekai, que estreou em 2002, é definido pelo seu diretor, Dominic Champagne, como uma homenagem à “alma nômade”, no dialeto cigano da Romenia Varekai significa “onde quer que seja”, o nome é uma alusão à descoberta do novo e ao constante processo de mutação em que vivemos, que nos leva a “lugares” diferentes à cada nova experiência. É mais ou menos esta viagem de descobertas que o espetáculo tenta nos proporcionar. A montagem narra a história de Ícaro, personagem da mitologia grega que, após realizar seu sonho do voar, teria tido suas asas derretidas pelo calor do sol e supostamente caido no mar Egeu. O Cirque du Solei conta a parte da história que até então não tinha sido contada, mostrando aquilo que teria acontecido com Ícaro após insucesso de sua tentativa de chegar ao sol, na montagem ele não cai no mar, mas sim em uma floresta que fica no topo de um vulcão, chamada Varekai... Na floresta Ícaro se redescobre ao entrar em contato com o novo. Através de suas interações com os seres fantásticos que habitam aquele mundo tão estranho, ele reencontra a esperança e o sonho de voar.

Se eu tinha alguma dúvida quanto à suposta perfeição dos espetáculos do Cirque du Soleil, agora não tenho mais, Varekai é de fato perfeito, fiquei boquiaberto diante do belíssimo show de acrobacias e malabarismos, tudo executado com uma incrível perícia e uma sensibilidade tamanha que cheguei a crer que estava diante de algo surreal, inimaginável... O show, que mistura elementos do circo, da ópera e do balé, não se limita à uma simples apresentação de malabaristas e acrobatas, há sempre um conceito por trás de tudo que nos é mostrado e é isto que torna a apresentação tão grandiosa, digna realmente de ser chamada de arte...


Os artistas, vindos de diversas partes do mundo, trazem consigo a magia do espetáculo circense mambembe, magia esta que não se perdeu mesmo diante de tantas evoluções tecnológicas e do advento de novas expressões artísticas e culturais... Achei fabulosa a forma com que eles conseguem convergir as mais diversas expressões artísticas em um mesmo espetáculo; as danças, as lindas músicas (que são executadas ao vivo durante o show), os figurinos, o cenário, a iluminação, os objetos cenográficos, tudo, tudo é impecável e de estonteante beleza estética. Infelizmente não pude filmar ou tirar fotos do espetáculo, era expressamente proibido fazê-lo mesmo antes ou depois da encenação... Contudo nenhuma foto ou vídeo seria capaz de traduzir ou expressar a sensação de presenciar o espetáculo ao vivo. Ao término da apresentação, os meus olhos mareados eram a confirmação de que eu acabara de viver uma das melhores experiências de minha vida, que compensava cada centavo gasto e as quase 10 horas de viagem!

O Cirque du Soleil ainda permanece em BH até o dia 10 de fevereiro, neste ano ele ainda armará sua tenda nas cidades de Brasília, Salvador, Recife e Curitiba; confiram a programação completa AQUI! Se você ainda não foi e tiver alguma oportunidade de ir não a perca por nada, pois lhe garanto valerá a pena!



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